Pensamento associativo e conexões não óbvias
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Sabe quando você está explicando algo e de repente faz uma comparação completamente inesperada, e as pessoas te olham com aquela cara de “o quê?”? Mas na sua cabeça, aquilo faz todo sentido?
Pois é. Bem-vindo ao clube do pensamento associativo.
O que acontece na minha cabeça #
Minha mente funciona como uma teia de aranha gigante onde tudo pode se conectar com tudo. Posso estar lendo sobre arquitetura de sistemas distribuídos e, do nada, fazer uma ponte com ecossistemas naturais. Ou comparar a forma como neurônios se comunicam com padrões de mensageria em microsserviços. Para mim, essas conexões são cristalinas. Para quem está do lado de fora da minha mente? Nem tanto.
E isso pode ser frustrante, tanto para mim quanto para quem está ouvindo. Porque preciso pausar, voltar alguns passos e explicar toda a jornada mental que fiz em milissegundos. Como se traduzisse um idioma que só eu falo fluentemente.
Tem nome para isso? #
Aparentemente, sim. E não é só “ser esquisito” (embora seja também, às vezes).
Pensamento associativo é a capacidade de conectar ideias aparentemente não relacionadas. É o que está por trás da criatividade, da inovação e daqueles momentos “Eureka!” que parecem surgir do nada. Nosso cérebro não armazena informações em gavetas separadas, tudo está interligado em redes complexas. Quando faço uma conexão estranha, estou apenas ativando caminhos neurais que outras pessoas talvez não percorram com frequência.
Existe também o pensamento divergente, que é a habilidade de gerar múltiplas soluções ou perspectivas para um mesmo problema. Enquanto a maioria segue a estrada principal, minha mente gosta de explorar as vielas, os atalhos e até aquele caminho no meio do mato que ninguém sabia que existia.
Por que isso acontece comigo? #
Não sei se é excesso de curiosidade, uma mente inquieta ou simplesmente a forma como meu cérebro resolveu se organizar. Mas o fato é: leio, observo, escuto e absorvo informação de áreas completamente diferentes. E em algum momento, meu cérebro decide que aquilo que aprendi sobre teoria da informação tem tudo a ver com design de APIs. Ou que princípios de resiliência em engenharia civil podem ser aplicados em sistemas de alta disponibilidade.
E sabe o mais engraçado? Geralmente tem mesmo.
O desafio da comunicação #
O problema não é fazer as conexões, isso é natural para mim. O desafio é comunicá-las de forma que façam sentido para outras pessoas. Porque o que para mim é uma linha reta, para os outros pode parecer um labirinto.
Aprendi (e ainda estou aprendendo) a desacelerar. A mapear mentalmente o caminho que percorri antes de soltar a conclusão. A construir pontes entre o ponto A e o ponto Z, em vez de simplesmente pular de um para o outro e esperar que todos acompanhem.
Por que isso é valioso #
Essas conexões não óbvias são a essência da inovação. São elas que geram ideias disruptivas, soluções criativas e perspectivas únicas. O mundo não precisa apenas de pessoas que pensam dentro da caixa. Precisa também de quem consegue ver que a caixa está dentro de outra caixa, que por sua vez compartilha princípios com estruturas de dados que aprendemos na faculdade.
Então sim, às vezes minha mente faz saltos quânticos que deixam os outros confusos. Mas também é isso que me permite ver padrões onde outros veem caos, criar onde outros veem limites, e conectar o que parece desconectado.